Imagem capa - Não é só sobre fotografia, relato de uma mamãe! por Anelise Piccini

Não é só sobre fotografia, relato de uma mamãe!

Bom dia mamães!

Vi essa postagem hoje cedo no instagram do Andre Diamand e resolvi dividir uma história..


Eu não sou a mãe do Thomas Edson, mas acredito que todas nós enfrentamos desafios e amamos nossos filhos.

Anos atrás o meu Gab passou por diversos e incontáveis problemas na escola que estudava, não passava uma semana sem eu precisar estar no soe ou na direção.



Eu fiz de tudo, conversei, botei de castigo, tirei vídeo game, dei vídeo game e outros presentes, bati, gritei, agradei, dei colo... atirei pra todos os lados ...


Tudo culminou num dia onde a religiosa responsável pela direção da escola disse que meu filho devia tomar um remédio (aquele que todo mundo conhece e que adoram receitar para crianças supostamente hiperativas).Aquela frase me atacou de uma maneira que eu cheguei a me cuspir de braba enquanto falava, me imaginei pulando por cima da mesa que nos separava.

A partir dali eu consultei com um psiquiatra (afinal é do departamento dele  a medicação), e vejam a descoberta que eu fiz, ele recomendou que o Gab fizesse uma série de testes os quais resultaram em alívio e dor profunda ao mesmo tempo.

Comoooooo eu não enxerguei meu deus, como eu falhei, como eu briguei com esta criança pra tentar obriga-la a se encaixar, até hoje quando lembro meu peito aperta.

Descobri nas semanas seguintes que meu filho tinha um q.i absurdamente acima da média da idade, que ele nunca foi hiperativo, ele simplesmente terminava as tarefas muito rápido e por incapacidade e despreparo da escola era tratado como problema, afinal minha gente, que tipo de criança fica 40/50min sentadinha quieta quando acaba uma tarefa?????


Descobrimos também que ele tinha um déficit grande de equilíbrio e isso explicava muita coisa, o medo de altura, de alguns brinquedos da pracinha, a dificuldade em andar de bicicleta..



Imediatamente começou a busca por outro lugar, um lugar que estivesse preparado para receber uma criança fora da caixa.

A primeira infância do gab foi numa chácara no interior, ele aprendeu a ler e fazer continhas com 4 anos, mea culpa, gostava muito de ler e lá não tinha internet..
O primeiro livro que ele leu todinho foi a pequena enciclopédia da larrousse..
Maratonas e mais maratonas de Senhor dos Anéis e Harry Potter..
Jogar Mário no emulador projetado na parede... a gente chamava de Mário Grandão!


   

 


E foi buscando uma nova escola que me deparei com outra coisa que eu nunca imaginei, se tu tem um filho com alguma deficiência, ou déficit todas as escolas tinham propostas, orientadores, mas a impressão que eu tinha na saída de cada visita era de que ninguém queria meu filho...

Visitamos quase todas as escolas da cidade, particulares e algumas públicas também.

Foi um período muito difícil, imaginem o tamanho da culpa que eu tava carregando por não ter visto antes, por ter maltratado por ignorância, pelos castigos indevidos..

Foi no Marista Conceição que nos encontramos, na nossa visita eles se mostraram super dispostos a ajudar, a criar mais tarefas especiais pra ele, a disponibilizar na sala de aula gibis pra serem lidos no términos das tarefas.

Nunca mais eu fui no soe, nunca mais eu fui na direção (mentiraaaa fui sim... até porque eu não pari um anjo apesar de chamar Gabriel, mas aí os motivos foram outros), mas nunca mais eu fui a mãe do filho problema.

Eu conto essa história pra alertar as mamães que observem, que acolham seus filhos, mas lembrem-se de se acolher também.

Somos seres humanos, somos falhos e não existe manual..

A gente vai errar.. Mas mais importante que o erro é o esforço para corrigir é o amor para se perdoar.